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terça-feira, maio 01, 2007

Medo ?!!?

Essa música é quase uma ode a todos os que idolatram a pseudo-segurança de não se arriscar..

Quem quiser morte e lenta e dolorosa na velhice, é só sair cantando...

Quem não quiser
SENTAPUA! E vamos à luta, Filhos da Pátria!

Miedo -Lenine

Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienem miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienem miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienem miedo de subir y miedo de bajar
Tienem miedo de la noche y miedo del azul
Tienem miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de ascender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como un laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienem miedo de reir y miedo de llorar
Tienem miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienem miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara, medo de encarar
Medo de calar a boca, medo de escutar
Medo de passar a perna, medo de cair
Medo de fazer de conta, medo de dormir
Medo de se arrepender, medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Miedo... que da miedo del miedo que da

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

Etnografia digital. SuperMentesColetivas ?

Clemente em Supermentes.

Digital Etnografia. Do Kansas ao mundo, via youtube.

Loucuras coletivas de coletividades "e". What the hell?

Seth Godin "Publish or perish indeed. Now that the publishing part is free and without friction, and now that a professor can boil down complex topics to vivid videos, why aren't tens of thousands of professors scrambling to do this?"

Perguntas intrigantes para a humanidade...

SENTAPUA! E vamos à luta, filhos da Pátria!

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Esperanças, Brasil, empreendedorismo e o trem das 11

Pensando ainda do que falar aquele jovem...

Decidi ir de metro pra casa, para ver como seria esse trem, sô. E peguei o metro la pras 11 mesmo. Literalmente, embarquei no trem das 11, da sona sul até o tucuruvi (logo antes do jacanã).

No trem, encontrei anúncios de tudo o que se deve ensinar a um jovem. Trocendos cursos de inglês onde se falaria fluentemente em meses. Faculdades prometendo miraculosos diplomas em 2 anos. Até que achei um anúnico interessante do Sebrae e o mais interessane, em parceria com a Anprotec. Começei a pensar que nem tudo estava perdido.

Então passei a observar o público-alvo da queles anúncios, in loco.

Basicamente, uma multidão de estudantes (ontem foi o primeiro dia de aula em Sampa). Todos comentando basicamente o que se faz para ter um diploma, que o FDP do professor idiota x vai dar z aulas este semestre, que a mensalidade aumentou, etc. Nada do que iriam fazer de útil com o que quer que estivessem estudando... Á minha frente, uma garota compenetrada lia o mesmo livro que eu: A estratégia do Oceano Azul. Ao lado, um rapaz cheio de espinhas se deliciava com um imenso Hackers Bible.

Numa estação entra um quarteto (dois rapazes, duas moças), animadíssimos com algo. Param do meu lado e começam a descascar o verbo sobre como os incompetentes dos administradores da empresa de call center que trabalham. Fiz a coisa feia de ouvir. E não é que eles estavam falando de como construiram, numa célula de 60 pessoas, um "sistema" de workflow e anotação de eventos usando o windows, pra compensar tudo o que NÃO etava nem nos sistemas que eles usavam, nem nos controeles, nem nos procedimentos, MAS que eles eram cobrados (inclusive financeiramente) em suas metas. E eles estavam descrevendo esse magnífico SOA-Based System que usava a plataforma POST-IT.

Eles tinham de deixar registrados, para os próximos operadores, uma série de eventos anteriores, sobre os clietnes. E para os supervisores, uma outra série de coisas, do dia.
Para os próximos operadores, post-its amarelos, na exata ordem do que aconteceu. Os primeiros eram os últimos e vice-versa.
Para os supervisores, post-its verdes, na ordem inversa. A maior prioridade de solução (a famosa backlist) em cima da pilha. As coisas menos urgentes, embaixo.

Ah... E isso tudo enquanto atendiam os outros clientes, porque as coisas que o sistema media eficientemente eram os tempos de cada atendimento, o tempo de trabalho de cada um e o tempo de "ociosidade" entre uma ligação e outra!!

Para quem curte requisitos, acima está a especificação completa de algo útil aos nossos call centers. Eu curto gente. E continuo admirado com as nossas "acabativa", "solucionática", "Sivirolciclina" e a melhor de todas a "xacumigoémole".

Pena que tanta criatividade seja disperdiçada em salários escravocratas e escondida sob o pomposo título de "negócio de alto volume e baixas margens". Ou seja, um negóci onde os processos escondem o lado "ruim" das pessoas.

Moral da estória: "Se eu perder esse trem, que sai agora as 11 horas, só amanhã de manhã..."

SENTAPUA!! E vamos à luta, filhos da Pátria!

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Mais modelos de negócios de SaaS

Mais algunas coisas interessantes do SaaS.

Depois da SalesForce, agora a WebEx lançou o seu proprio ambiente de "colaboração". Mais um modelitcho de "Venha nós Vosso Reino" vindo por ai. Excelente cobertura na ZdNet, em aqui.

Para quem quiser enteder mais desse podereoso modelo das ValueClouds, um excelente repositório, o Loosed Coupled site, está aqui. E a meca, a SaaS conferene, aqui.


SENTAPUA!! E vamos à luta, filhos da Pátria!

Ato I - A soma de todos os medos

Do debate com Clemente (ainda em andamento, aguardando o próximo artigo dele), me vieram à mente (com algumas dolorosas enquadradas do meu Anjo da Guarda) discorrer sobre uma velha frase de Ioda: “Fear takes to Anger. Anger takes to hating. Hating takes to suffering. And Suffering is the path to the Dark Side of The Force”

Acontece que no atual estágio extremamente fácil se obter enormes quantidades de informação e ao mesmo tempo discorrer, produzindo outras enormes quantidades, a mediocridade passou a ser um fantasma imenso sobre todos os seres minimamente inteligentes. Não basta falar algo, tem de ser A opinião derradeira. E nem sempre isso se faz por discussão dialética, mas apenas por medo de se ser apenas “mais um”.

A soma de todos os medos vem de todos os blogs, comentários, flickers, número de amigos no orkut, número de endorsements no Linkedin, conferências que você palestrou, artigos que vc escreveu ou não. Assusta, num universo imenso de possibilidades, você simplesmente não ser um Ricardo Semler (sem a mitomania) e sair mudando o mundo de pernas pro ar!

E devo admitir, acabei vítima desse hábito dialético distorcido, na mesma discussão com Clemente. O que ficou faltando, no afã da discussão, foi simplesmente o mais importante, tecer a conclusão somatória das duas opiniões simétricas, além da óbvia agressividade que a discussão tomou, sem nenhuma necessidade.

Admiro o esforço de Clemente de pensar como Brasileiro, independente de todas as correntes ideológicas onde ele bebe. Tenho vários de seus livros e já vivenciei na pele alguns dos diagnósticos que ele descreve, na realidade das empresas que trabalhei. E na prática, as idéias deles são extremamente úteis em organizações estabelecidas. Muito práticas, por sinal.

Mas mantenho o que disse sobre a importância de se instilar o empreendedorismo, o senso de diferença que cada indivíduo pode provocar. O que falta (aguardem cenas dos próximos capítulos) é como unir o conhecimento pragmático dele com a minha condoreira e apaixonada visão do empreendedorismo. Está prometido para os próximos episódios.

Aguardem!

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

2 de Fevereiro, dia de Iemanja e outras ondas...

Dia de Chico, o Science.
"Nada como o Firmamento,
Para trazer ao pensamento.
A certeza de que estou sólido,
Em toda a área que ocupo.
E a imensidão aérea,
É ter o espaço do firmamento no pensamento.
E acreditar em voar algum dia."

Dia de Silvio, o Meira.
"Mais do que na música, o legado de Chico vive em todos os que lutam, nas suas muitas periferias, para fazer muito mais do que os poucos centros do mundo dizem que eles deveriam se limitar a fazer"

Dia de pensar em como criar nuvens de valor, em pindorama.

Sexta-feira, dia internacional da Phoenix.

E vamos à luta, filhos da pátria!!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Jihad = Como ensinar a inovar aos jovens do Brasil, Parte 6

E lá vamos nós...
Vou começar citando o Nassim Taleb, do seu artigo ,
"Take the Google phenomenon or the Microsoft effect — "all-or-nothing" dynamics. The equivalent of Google, where someone just takes over everything, would have been impossible to witness in the Pleistocene. These are more and more prevalent in a world where the bulk of the random variables are socio-informational with low physical limitations. That type of randomness is close to impossible to model since a single observation of large impact, what I called a Black Swan, can destroy the entire inference." and "The puzzling question is why is it that we humans don't realize that we don't know anything about the significant brand of randomness? Why don't we realize that we are not that capable of predicting? Why don't we notice the bias that causes us not to realize that we're not learning from our experiences? Why do we still keep going as if we understand them?"
Se nós não conseguimos "modelizar" o randômico (ou os cisnes negros, como ele diz), sorry, mas todos os modelos "estatísticos e científicos" não conseguem modelar o futuro. Dai, volto ao meu argumento "religioso" de ensinar ao mesmo jovem não só "ferramental", mas a maior coisa de todas (e que em todas as biografias q eu conheço e que me inspiram, foi o que fez a verdadeira diferença), que é ATITUDE. Concordo que atitude se ferramenta não ajuda muito, mas todas as técnicas, diplomas, ferramentas e tudo o mais são inúteis.
Dai, eu pegaria uma fast interview do Guy Kawasaky, com Donald Trump, onde ele diz, com todas as letras:
Question: TV is TV, real life is real life: What’s the most important real-life advice you can give to an entrepreneur? Answer: You have to love what you do. Without passion, great success is hard to come by. An entrepreneur will have tough times if he or she isn’t passionate about what they’re doing. People who love what they’re doing don’t give up. It’s never even a consideration. It’s a pretty simple formula.
Volto a outro atributo "não científico", para ensinar como caminho inconteste a um jovem.
Mas, pegando parte do que voce comenta em seu site em:
"A chave para o sucesso das organizações não pode ser (e não são) pessoas especiais. São pessoas “médias” operando em sistemas gerenciados. É a gestão que nos habilita a trabalhar em conjunto com outros e colaborar em grupo sem ímpetos assassinos. Não me xingue (leia mais), mas o sistema – ou seja: a gestão – é mais importante para a performance do que “as pessoas”. Muito, muito, muito mais. Esse é o “segredo sujo” do mundo das organizações. Pode não soar muito virtuoso, mas é assim. Não existem “pessoas especiais”, esqueça essa bobagem. Só existem pessoas “médias” que um certo ambiente, desenhado e gerenciado intencionalmente para tal, torna especiais. Líderes sim, têm de ser especiais num sentido preciso; liderados não. "

"O que minimiza o calor na empresa é a gestão. Bons sistemas de gestão nunca tentam mudar “as pessoas”, pois isso é inútil. O que eles fazem, é bom repetir, é enquadrá-las (ok, sei que soa mal), direcioná-las para o desempenho adequado à empresa. Nada a ver com apelos à colaboração; nada a ver com retórica ou sermão moralizante. Exortação é para o papa, não para um gestor."

Ficou mais claro entender que vc tenta "enquadrar" as organizações processualmente, e é ai onde pensamos radicalmente diferente. Venho do mundo da tecnologia, onde o que nos move é a vontade de realmente fazer diferente. Sim, muitos tentam, pouquíssimos conseguem, mas, sem esse desejo, fé, loucura, burrice, como quer q vc chame, ainda estaríamos fazendo contas em ábacos!
E pra finalizar a discussão, inovação é o esforço realmente de muitos, onde uns poucos conseguem sucesso. Mas é esse o modelo que eu acredito, é nele q eu vivo e é ele que eu ensino aos meus alunos do mundo de tecnologia. E volta e meia um aparece com uma coisa boa, mesmo que todos estejam tentando o tempo todo. Eu prefiro me espelhar nas exceções, sempre, e buscar ser uma delas, que me conformar com a média de sistemas. Sou e sempre serei um outsider. Escolhi tecnologia porque é um mundo cheio de outsiders.
E vamos a luta, filhos da pátria!!!! :)

Jihad = Como ensinar a inovar aos jovens do Brasil, Parte 5 - Clemente

Courtnay
Mestre, não é qualquer um que me motiva a um debate assim não.Eu também
respeito muito o que vc diz,apenas discordo neste tema particular.
Modelos centrados no indivíduo são ok.Compartilho sua fé na capacidade
individual de fazer a diferença, mas não aceito o viés de pinçar um pequeno grupo de
pessoas empreendedoras de sucesso e fazer delas o modelo para a massa dos
indivíduos. O nome técnico disso é "viés do sobrevivente".Isso é um
engano.Escrevi muito sobre isso em meu último livro EMPRESAS DE SUCESSO
,PESSOAS INFELIZES.

Os bem sucedidos que nós vemos são os que sobraram de uma multidão de "não
tão bem sucedidos".Não dá para pegar nenhuma experiencia individual e fazer de modelo. "Faça assim porque
eu fiz assim e cheguei lá". Sorte/acaso/randomness,contam demais.
O comportamento da média é mais previsível que o do indivíduo.Há uma questão
estatística aqui.Os empreendedores de sucesso são poucos.Os empreendedores que realmente fazem a
diferença são pouquíssimos.Isso eh da natureza do empreendedorismo e tem a
ver com a transcedental noção de risco.É o fato de existirem indivíduos que aceitam
correr riscos maiores que a média que gera o motor da ação
empreendedora.Schumpeter e tal. Não sei se você nota: não tem sentido querer
fazer do empreendedorismo `la Jobs,Gates etc..o modelo a ser seguido pela
MAIORIA.Isso é um absurdo lógico,se aceitarmos a definição schumpeteriana de
empreendedor. A maioria dos jovens talentosos,com atitude,bem
praparados...nao será Bill Gates jamais,e ,se eles fossem inteligentes
mesmo,não colocariam para si próprios a missão de serem Bill Gates.Viver é
melhor que sonhar. Não estou falando de gente obtusa,
mal preparada, sem ambição.Estou falando dos competentes,dos corajosos,dos
que aceitam correr riscos.Eles não vão ser Bill Gates.A estatística
proibe. A média (dos bem preparados) é média. A esmagadora maioria dos
empreendedores americanos (a Meca do empreendedorismo) nao dá
certo.Fracassa.Tem que fracassar.Se a maioria desse certo,ela passaria a ser
a média. Agora,sua insistência no valor das opções individuais,a importância
da atitude, do desejo de fazer uma diferença,tudo isso está perfeito.
Perfeito desde que enquadrado pelo entendimento das coisas como elas
são.Desde que a gente entenda que o sucesso "épico" (Gates/Jobs) não
é o único sucesso possível.Que ele é para poucos e ,muito provavelmente, não
é para nós.Vc pode ser inovador/empreendedor em vários níveis "não épicos" e
ser muito realizado.

Por último:acreditar em si mesmo é condição necessária para o sucesso,mas
está longe de ser suficiente.
As condições necessárias e suficientes são: acreditar em si
mesmo(=atitude)+estar preparado (competência)+ ter sorte.

Como ter ou não sorte está fora da nossa gestão pessoal ,o que eu sugiro
aquele jovem é:tenha atitude,ou seja ,pare de sonhar e estude,estude,estude.
Talvez você dê certo,talvez não,mas isso é o que aumenta suas chances de ter
sucesso.
abs
Clemente
www.clementenobrega.com.br

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Os sonhos dos adolescentes

Achei esse texto nos meus alfarrábios digitais, extremamente pertinente ao que coloca o Clemente...

Os sonhos dos adolescentes

Por que os adolescentes sonham com um futuro acomodado e razoável, que nem a nossa vida?

NA FOLHA de domingo passado, uma reportagem de Antônio Gois e Luciana Constantino trouxe os dados de uma pesquisa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais: em 2005, 16% dos adolescentes entre 15 e 17 anos de idade não freqüentaram a escola. Trata-se de 1,7 milhão de jovens. Alguns desistiram por falta de meios, de vaga ou de transporte escolar, outros adoeceram, mas, em sua maioria (40,4%), eles abandonaram os estudos por falta de interesse. Como disse uma entrevistada, "os professores eram muito chatos".
Os comentadores, na própria reportagem, acusam a pouca qualificação ou motivação de muitos professores e um sistema de avaliação que produz repetências. Concordo, mas talvez haja mais.
Ao longo de 30 anos de clínica, encontrei várias gerações de adolescentes (a maioria, mas não todos, de classe média) e, se tivesse que comparar os jovens de hoje com os de dez ou 20 anos atrás, resumiria assim: eles sonham pequeno.
É curioso, pois, pelo exemplo de pais, parentes e vizinhos, os jovens de hoje sabem que sua origem não fecha seu destino: sua vida não tem que acontecer necessariamente no lugar onde nasceram, sua profissão não tem que ser a continuação da de seus pais. Pelo acesso a uma proliferação extraordinária de ficções e informações, eles conhecem uma pluralidade inédita de vidas possíveis.
Apesar disso, em regra, os adolescentes e os pré-adolescentes de hoje têm devaneios sobre seu futuro muito parecidos com a vida da gente: eles sonham com um dia-a-dia que, para nós, adultos, não é sonho algum, mas o resultado (mais ou menos resignado) de compromissos e frustrações.
Um exemplo. Todos os jovens sabem que Greenpeace é uma ONG que pratica ações duras e aventurosas em defesa do meio ambiente. Alguns acham muito legal assistir, no noticiário, à intrépida abordagem de um baleeiro por um barco inflável de ativistas. Mas, entre eles, não encontro ninguém (nem de 12 ou 13 anos) que sonhe em ser militante do Greenpeace. Os mais entusiastas se propõem a estudar oceanografia ou veterinária, mas é para ser professor, funcionário ou profissional liberal. Eles são "razoáveis": seu sonho é um ajuste entre suas aspirações heróico-ecológicas e as "necessidades" concretas (segurança do emprego, plano de saúde e aposentadoria).
Alguém dirá: melhor lidar com adolescentes tranqüilos do que com rebeldes sem causa, não é? Pode ser, mas, seja qual for a qualidade dos professores, a escola desperta interesse quando carrega consigo uma promessa de futuro: estudem para ter uma vida mais próxima de seus sonhos.
Aparte: por isso, aliás, é bom que a escola não responda apenas à "dura realidade" do mercado de trabalho, mas também (talvez, sobretudo) aos devaneios de seus estudantes; sem isso, qual seria sua promessa? "Estude para se conformar"?
Conseqüência: a escola é sempre desinteressante para quem pára de sonhar.
Em princípio, os jovens interpretam o desejo (inconsciente) dos pais e herdam os sonhos reprimidos atrás das vidas (fracassadas ou bem-sucedidas, tanto faz) dos adultos. Aquela fala chata dos pais, que evocam as renúncias que foram necessárias para conseguir criar os filhos, aponta o caminho de aventuras menos sacrificadas. Há uma guitarra empoeirada no sótão do comerciante ou do profissional cujo filho quer ser roqueiro. O que mudou? Duas hipóteses.
É possível que, por sua própria presença maciça em nossas telas, as ficções tenham perdido sua função essencial e sejam contempladas não como um repertório arrebatador de vidas possíveis, mas como um caleidoscópio para alegrar os olhos, um simples entretenimento. Os heróis percorrem o mundo matando dragões, defendendo causas e encontrando amores solares, mas eles não nos inspiram: eles nos divertem, enquanto, comportadamente, aspiramos a um churrasco no domingo e a uma cerveja com os amigos.
É também possível (sem contradizer a hipótese anterior) que os adultos não saibam mais sonhar muito além de seu nariz. Ora, a capacidade de os adolescentes inventarem seu futuro depende dos sonhos aos quais nós renunciamos. Pode ser que, quando eles procuram, nas entrelinhas de nossas falas, as aspirações das quais desistimos, eles se deparem apenas com versões melhoradas da mesma vida acomodada que, mal ou bem, conseguimos arrumar. Cada época tem os adolescentes que merece.

Sobre o Artigo que gerou a conversa com o Clemente...

O original (inovacao big brother) está aqui e o anterior (por que temos de nos livrar de steve jobs) aqui.

E o trecho q originou foi

"

a) Você o aconselha a estudar a vida e obra de Steve Jobs ou Bill Gates ou dos fundadores do Google, e-Bay, You Tube, Skype etc... O sucesso desses hiper-milionários, sua influência, seu glamour e espírito romântico, parece indicação clara de que eles têm algo que vale a pena tentar entender e imitar. Todo mundo nessa turma criou coisas geniais - produtos ou serviços que agitaram seus mercados - ou inventaram mercados novos. Todos fizeram isso trabalhando solitariamente (em garagens, segundo a lenda usual) tendo apenas uma idéia, um sonho, ou curiosidade a perseguir. Tente ser um deles! A tecnologia abre portas incríveis; há milhões de caminhos a desbravar. Só depende de você.

b) Você os aconselha a estudar a performance de empresas como South West Airlines, Wal Mart, Dell, NOKIA, Toyota, Zara, CEMEX, British Petroleum e outras. Poderia mesmo começar estudando uma tremenda inovação dos anos 1920: a forma pela qual a General Motors se organizou como empresa. Uma coisa tão criativa que a levou a bater a Ford, que havia inventado o conceito de carro para as massas duas décadas antes. A Ford tinha inovado por meio de um processo para fazer caros bons, bonitos e baratos. A GM a superou (inovando em cima da inovação da Ford) criando uma organização capaz de produzir vários tipos de carros, direcionados a vários tipos de público e introduzindo essa coisa chamada marketing no mundo do automóvel. A Ford não fazia nada isso.

O fato é o seguinte: se aceitamos minha definição de inovação (dinheiro novo + quebra do molde), então as empresas do ítem (b) têm lições muito, muito, muito mais úteis a dar do que as do item (a).

Quer dizer algo de útil àquele jovem? Esqueça Steve Jobs.

"

terça-feira, janeiro 30, 2007

Jihad = Como ensinar a inovar aos jovens do Brasil, Parte 1 - Hackers, Painters, Creators, Followers e bulshitagem!

Folks,

Ainda continuo revoltado revoltado! Esse negócio do Clemente dizer q não podemos ter "garagens" em Pindorama, tá angustiante. Pior ainda dizer que os exemplos de indíviduos brilhantes devem ser pra poucos!! E que devemos ignorá-los e viver nossa "vida de gado", felizes!

Pois, contra a primeira coisa, recomendo Founders at work, exemplo prático de como é q os "nerds" viraram a mesa, inovando inclusive na vida de suas proprias empresas.
Para a a mania de que uma andorinha não muda o mundo, tome Hackers and Painters, e descubra que a criatividade individual ainda move montanhas.

E finalmente, pra quem acha q Pindorama não tem labs, vejam a pesquisa da ABDI sobre inovacao no Brasil (5.000 empresas com labs aq).

Ufff....